O tempo que os amigos emigrantes me deixam...

Em pequeno fascinavam-no obras, em geral… Durante anos pensou que os bébés eram fabricados em betoneiras e que estas tinham também sido utilizadas pelos Americanos para enviar a Lassie ao espaço. Dizia que quando fosse grande queria ser trolha e escrevia ao Pai Natal a pedir areia e cimento... Aterrorizava a mãe quando se mascarava de lápis atrás da orelha, quando todos os outros meninos escolhiam o Super-homem, envergonhando-a em frente às outras mães quando respondia que a sua série preferida era a de anúncios da Coca-Cola Light.
Diz-se que na sua festa de 19 anos mandou o carro novo para a sucata, quando um outro carro preto (salvo erro um Seat Ibiza, com jantes de 17”, um touro autocolante atrás, dois dados pendurados no retrovisor, estofos vulgares, 4 personagens lá dentro, dois dos quais aciganados, 2 riscos na porta do lado direito, 1 do lado esquerdo, um pneu a precisar de ar e falta de água no limpa pára-brisas) se meteu à sua frente em plena VCI, quando ia a 75km/h e a conversar sobre política internacional…
Cosmopolita, organizado e vaidoso, tornar-se-ia nos primórdios do século XXI num dos grandes promotores da metrossexualidade, passando rapidamente do rigor do corte de cabelo aos 17 cremes por cm2 de corpo. A mudança começou a surtir os seus efeitos e a sua reputação apenas seria abalada pelo boato relativo ao seu método de regar grelhados quando acampava (sim, ele acampava!!!)
A sua grande desilusão foi ao mesmo tempo o seu maior sucesso. Com 23 anos aceitam-no numa empresa de construção e só aí se apercebe que, mesmo depois de 18 anos a copiar, não o deixam pegar no martelo ou no cinzel e muito menos em maquinaria pesada! Afinal de contas tem que passar a vida a lidar com homens, suados e a cheirar a tudo menos a verniz, com um capacete que lhe estraga o penteado, umas botas em tudo diferentes dos seus “Lottusse” e um horrível colete que não deixa ver o quão impecavelmente passada está a sua camisa...
Não conseguindo suportar mais os seus suspiros por uma vida mais “condigna”, é sugerida a sua transferência para o estrangeiro pelo seu chefe directo. Recusa Angola por “não perceber "o" estrangeiro”, frustrando assim as expectativas patronais de o enviarem para outro continente. Surge logo após a hipótese Irlanda como tábua de salvação, sendo o mar encarado como “uma privilegiada primeira defesa contra qualquer tentativa de regresso" (os amigos agradecem).
Ainda há pouco ouvi rumores irlandeses sobre um mitra Tuga que tenta vender micro-machines a miúdos de 10 anos, rói as unhas sempre que está stressado, agradece em qualquer loja com um “thank you very, veeeeery much” e bebe cerveja em copos de 20cl. Impecável!...
Diz-se que na sua festa de 19 anos mandou o carro novo para a sucata, quando um outro carro preto (salvo erro um Seat Ibiza, com jantes de 17”, um touro autocolante atrás, dois dados pendurados no retrovisor, estofos vulgares, 4 personagens lá dentro, dois dos quais aciganados, 2 riscos na porta do lado direito, 1 do lado esquerdo, um pneu a precisar de ar e falta de água no limpa pára-brisas) se meteu à sua frente em plena VCI, quando ia a 75km/h e a conversar sobre política internacional…
Cosmopolita, organizado e vaidoso, tornar-se-ia nos primórdios do século XXI num dos grandes promotores da metrossexualidade, passando rapidamente do rigor do corte de cabelo aos 17 cremes por cm2 de corpo. A mudança começou a surtir os seus efeitos e a sua reputação apenas seria abalada pelo boato relativo ao seu método de regar grelhados quando acampava (sim, ele acampava!!!)
A sua grande desilusão foi ao mesmo tempo o seu maior sucesso. Com 23 anos aceitam-no numa empresa de construção e só aí se apercebe que, mesmo depois de 18 anos a copiar, não o deixam pegar no martelo ou no cinzel e muito menos em maquinaria pesada! Afinal de contas tem que passar a vida a lidar com homens, suados e a cheirar a tudo menos a verniz, com um capacete que lhe estraga o penteado, umas botas em tudo diferentes dos seus “Lottusse” e um horrível colete que não deixa ver o quão impecavelmente passada está a sua camisa...
Não conseguindo suportar mais os seus suspiros por uma vida mais “condigna”, é sugerida a sua transferência para o estrangeiro pelo seu chefe directo. Recusa Angola por “não perceber "o" estrangeiro”, frustrando assim as expectativas patronais de o enviarem para outro continente. Surge logo após a hipótese Irlanda como tábua de salvação, sendo o mar encarado como “uma privilegiada primeira defesa contra qualquer tentativa de regresso" (os amigos agradecem).
Ainda há pouco ouvi rumores irlandeses sobre um mitra Tuga que tenta vender micro-machines a miúdos de 10 anos, rói as unhas sempre que está stressado, agradece em qualquer loja com um “thank you very, veeeeery much” e bebe cerveja em copos de 20cl. Impecável!...
Diz-se que não me ligou nos anos...
2 Comments:
Dudita...
Tenho de confessar... chorei de felicidade... chorei de alegria genuína em verificar que me tens em tamanha estima.
Só me ocorre uma palavra que consiga reunir em si todo o emaranhado de sentimentos que me despertas...
IMPECÁBEL!!!
E já agora... amei a foto... Seninha certo?
B
Eduardo,
Eu moro com um gajo que é 'tal e qual... mas essa do acampar era impossivel...
A vida dele aqui é muito dificil. Não há uma única loja de alta-costura em Limerick, além disso as ovelhas não gostam de italianos stressados e as vacas têm uma estranha atracção por metrosexuais... não tem sido fácil...
Quando cá voltares eu apresento-t'o... vocês vão-se dar bem
Abraço
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